alguma coisa se desprende do meu corpo
e voa
não cabe na moldura do meu céu.
sou náufrago no firmamento.
o vento da poesia me conduz além de mim
o sol me acende
estrelas me suportam
Odisseu nos subúrbios da galáxia.
amor é o que me sabe e o que me sobra
outro castelo que naufraga
como tantos que a força do meu sonho
quis transformar em catedrais.
ilusões? ainda me restam duas dúzias.
conspirações de amor, talvez não mais.
(29.06.07)
Aqui vão fragmentos dos três textos vencedores da promoção Balada do Impostor:
"The dream is over! (...) Paul McCartney morreu.", por Felipe
Cerquize
"Alvarez optou por arriscar tudo, blefando no lance final.", por Alvaro Barcellos
"Geraldo Carneiro sou eu. Esse que anda por aí com longos cabelos negros é um embuste, uma patranha." por Nuno Rau
Se quiser conhecer os textos na íntegra, clique no nome dos ganhadores.
(22.06.07)
A convite de Antonio Veríssimo, diretor do grupo Teatro da Laje, da Vila Cruzeiro, GC participará de um espetáculo-manifesto contra a guerra civil do Rio de Janeiro. Segunda, dia 18, a partir das 20:00, no Teatro Maria Clara Machado, no Planetário da Gávea. (15.06.07)
A convite da professora Fernanda Medeiros, GC fará uma palestra sobre os sonetos de William Shakespeare. Na próxima quinta, dia 21, às 18:00, na UERJ. (15.06.07)
O prazo para entrega dos textos da nossa promoção acaba neste domingo. Escreva a sua história de cerca de 15 linhas, com o tema Balada do Impostor, envie-a para contato@geraldocarneiro.com e concorra a três livros de GC, oferecidos pela Editora Garamond. (08.06.07)
toda beleza é sempre uma alegria.
eu sei, não foi bem isso que o John Keats
/disse,
mas cada língua escolhe as afeições
e imperfeições que lhe compete ser,
o ser da língua sendo o seu amar
o mar com cada qual sargaço seu
o espaço que se sonha na amplidão
do que se quer mais vasto.
um sonho vai fundando um outro sonho
até talvez um horizonte, ou não.
a palavra inaugura uma alegria
voa auspicia pássara
o que passou, o que ainda vai passar
o que se funda agora
e na hora da nossa vida-morte:
o resto só será palavra-além.
GC in Balada do Impostor, Garamond, 2006 (08.06.07)
me deleito no leito da poesia
a deusa que me acolhe com constância.
as outras, conforme a circunstância,
a fome de inventar o vento-amor.
sopro suas velas e ela se revela
em sua precariedade e seu esplendor.
é um rito que repito sem saber
se outra mão ampara a minha mão,
se sou ou se não sou conquistador
dessas conquistas feitas só de éter.
minhas palavras nunca foram minhas,
mas foram me forjando com sua força
até que me tornasse esse não-ser
feito de arquiteturas sem lugar
senão no reino-sonho que fundei.
essas palavras sopram-me presságios
e nelas plantarei os meus naufrágios.
GC, in Balada do Impostor (Garamond, 2006)
(01.06.07)
Na próxima terça-feira, 29/5, Geraldo Carneiro participará de sarau poético no Jasmim Manga Cyber Café, em Santa Teresa (RJ). Coordenado pelos irmãos Bebeto e Eduardo Tornaghi, o evento da noite homenageará também a poesia de William Shakespeare. (25.05.07)
A editora Garamond e o site www.geraldocarneiro.com vão presentear os autores das três melhores histórias com o título Balada do Impostor. Envie a sua até 10/6 para contato@geraldocarneiro.com (25.05.07)

Leia em Erros Meus / Prosas Bárbaras o texto de apresentação de Geraldo Carneiro para o romance Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro (Nova Fronteira, 2006). (18.05.07)
A promoção Balada do Impostor foi prorrogada até 10/6. Envie sua história para contato@geraldocarneiro.com e concorra ao mais recente livro de poesia de G.C., publicado pela Editora Garamond. (18.05.07)
A série rejubilac, publicada no livro Balada do Impostor (Garamond, 2006), traz poemas escritos por Geraldo Carneiro na língua inglesa. Navegue na versão do site em inglês e confira: Petty Follies / Poetry in English. (11.05.07)
Envie a sua história, com o título Balada do Impostor, para contato@geraldocarneiro.com e concorra ao livro de G.C. (11.05.07)
o signo rosa significa a rosa
a rosa em si mora no mundo
e é no fundo a flor da metaflora
que só floresce nos jardins suspensos de Platão
(assim, se não se sabe se uma pena
é uma pena ou é uma pena
também nunca se sabe se uma rosa
é uma rosa ou é somente a insígnia
o enigma ou a senha ou a metáfora
significando alguma outra rosa)
em suma, cada signo é uma ponte
entre a palavra, seu império
e cada rosa sempre indecifrada
em seu mistério
GC, in Lira dos Cinqüent'anos (Relume-Dumará, 2002)
(04.05.07)