Alvarez optou por arriscar tudo, blefando no lance final: como o jogo de seus três adversários estava morno - e seus olhares informavam a ele tudo isso -, fez um ar convincente e o blefe lhe valeu um bom dinheiro naquela complicada mesa de carpeta: poucas vezes, na verdade, ganhara tanto nas cartas com um joguinho tão miserável como o que tinha nas mãos. Fazer o quê? Saber o momento exato para blefar pode valer o mundo - esse era um ensinamento de seu velho pai, Esteban, e de cujas palavras nunca esquecera.
Com a grana nas mãos, Alvarez partiu para a noite, vitorioso. A espelunca da velha Shirley, o D'Amour, era naquele momento, uma grande pedida. As coxas de Beatriz, a china mais nova, ousada e faceira, o aqueceriam naquela noite de inverno rigoroso. Ademais, havia já algum tempo que não se deitava com uma mulher. Era hora de colocar o motor em funcionamento.
Saiu assobiando pela rua uma velha canção que os marujos cantavam no tempo em que ainda era um homem que tinha no mar o seu sustento e a sua vocação. Antes de dirigir-se ao D'Amour, passou no boteco do Clodoídes, onde bebeu de um só gole três doses de conhaque, para começar a esquentar-se - todo o resto guardaria para uma noite de prazer nos braços de Beatriz - com quem, no entanto, não poderia blefar. Para ter sorte no jogo e no amor.