sou um dos príncipes do despudor
por procurar até no desespero
ser fiel aos deuses nos quais acredito,
por não ter medo dos nomes malditos,
dos mitos, das palavras furta-flor.
vivo surfando em busca do presente
numa voracidade nordestina
que descobri por predestinação.
não sei qual é a nação dos meus zumbis.
não sei por que palmeiras e palmares
cheguei aqui atravessando mares
amares sempre nunca navegados.
sou a ponte entre a véspera e o porvir
as armas e barões assinalados
os pensamentos idos e vividos
e as praias improváveis que virão.