olha meu nego quero te dizer
o que me faz viver
o que quase me mata de emoção
é uma coisa que me deixa louca
que me enche a boca
que me atormenta o coração
quem sabe um bruxo
me fez um despacho
porque eu não posso sossegar o facho
é sempre assim
ai essa coisa que me desatina
me enlouquece, me domina
me tortura e me alucina
olha meu nego
isso não dá sossego
e se não tem chamego
eu me devoro toda de paixão
acho que é o clima feiticeiro
o Rio de Janeiro que me indendeia o coração
eu não consigo nem pensar direito
porque a aflição dispara no meu peito
ai essa coisa que me desatina
me enlouquece, me domina
me tortura e me alucina
e me dá
uma vontade e uma gana dá
uma saudade da cama dá
quando a danada me chama
maldita de Rita Baiana
no outro dia o português lá da quitanda
o Epitácio da Gambôa
assim à toa se engraçou e disse:
"oh rica rapariga eu te daria 100 miréis por teu amor"
eu disse:
vê se te enxerga seu galego de uma figa
se eu quisesse vida fácil
punha casa no Estácio
pra Barão e Senador
mas não vendo o meu amor
ah, ah, isso é que não!
olha meu nego quero te dizer
não sei o que fazer
pra me livrar da minha escravidão
até parece que é literatura
que é mentira pura
essa paixão cruel de perdição
mas não me diga que lá vem de novo
a sensação
olha meu nego assim eu me comovo
agora não
ai essa coisa que me desatina
me enlouquece, me domina
me tortura e me alucina
e me dá
uma vontade e uma gana dá
uma saudade da cama dá
quando a danada me chama
maldita de Rita Baiana